CONTEXTUALIZAÇÃO
A cidade de Pelotas, RS, Brasil, possui um rico patrimônio
edificado, de arquitetura predominantemente eclética, datado de finais
do século XIX e inícios do século XX. Para tornar mais confortável
e agradável o espaço urbano numa época de prosperidade econômica
da região (em função do acúmulo de capital proveniente
dos negócios com o charque) houve uma preocupação especial
com o calçamento das ruas e dos passeios públicos. Algumas partes
do chamado centro histórico ainda possuem pavimentos decorativos, formados
pela justaposição de lajotas fabricadas artesanalmente em estabelecimentos
locais. Há nas peças originais uma evidente associação
entre funcionalidade e preocupação estética, questão,
aliás, bastante relevante tanto para a modernidade quanto para a contemporaneidade.
Contudo, para quem percorre diariamente as calçadas estreitas que guardam
vestígios de um passado inalcançável, os belos desenhos
e as formas regulares perdem por completo a visibilidade e o significado.
CONCEITOS
BÁSICOS
O termo pulsares sugere noções de ritmo,
de repetição
e de variações de intensidade. Também faz pensar nas individualidades,
nas vidas de cada um, nos passos que se sucedem, e que criam diferenças
entre as trajetórias. Gerados a partir das vivências cotidianas
no espaço urbano, os trabalhos apresentados nesta exposição
incorporam idéias e sensações do mundo contemporâneo.
Estão presentes na expressividade do gesto/pensamento gravado nas paredes,
assim como no fascínio despertado pelas formas geométricas em
movimento. Mas principalmente ganham existência com a participação
ativa do público no processo de criação e de fruição
estética.
PROCESSO
CRIATIVO
Vivian
Herzog e Francisco Zanetti começaram a desenvolver
os trabalhos do projeto Pulsares individualmente,
sem estabelecerem contato entre si. A proposta inicial
foi a de que percorressem o espaço urbano, observando,
analisando e coletando imagens de detalhes dos pavimentos.
Durante alguns meses, nos reunimos separadamente para
discutir formas de desenvolvimento do trabalho.
Como artista plástica de formação,
Vivian demonstrou logo interesse pelo desenho. Combinamos,
então, que ela faria uma coleção
de desenhos a partir das formas e cores sugeridas pelas
peças decorativas. Logo surgiu a idéia
de fazer anotações em cadernos. No decorrer
dos nossos encontros, discutimos a possibilidade de ocupação
gráfica de uma das paredes da sala. Outras idéias
se sucederam, e os desenhos e projetos começaram
a se proliferar. Depois de alguns testes, o material
a ser utilizado foi escolhido. |
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Francisco
Zanetti, estudante universitário já habituado
ao trabalho com webdesign, assim que recebeu o convite
e a proposta inicial começou a fotografar as calçadas
da cidade. Acabou descobrindo um universo que nunca tinha percebido.
Em nossas reuniões discutíamos que tipo de resultado
poderíamos ter com a aplicação de tecnologia
digital a um material visual tão rico. Idéias
envolvendo possibilidades de interação do público
começaram a borbulhar; mas tínhamos que nos restringir
aos recursos tecnológicos disponíveis. Assim,
concordamos em utilizar poucos computadores e um único
equipamento de projeção.
Quando os respectivos
projetos já estavam suficientemente
maduros, os dois jovens artistas se encontraram e as discussões
sobre ocupação de espaço, procedimentos
de realização e montagem das obras começaram
a ser discutidos em grupo. A partir de então a preocupação
central da curadoria era a de estabelecer um equilíbrio
de forças entre as linguagens artísticas que
estavam sendo trabalhadas. Como as datas da exposição
precisaram ser adiadas diversas vezes por motivos técnicos,
o grupo teve mais tempo para amadurecer idéias, experimentar
novas possibilidades e selecionar as melhores opções.
O
projeto Pulsares também conta com a participação
especial de Fabiane Luckow,
que realizou o vídeo que
integra o trabalho de Francisco Zanetti.
Neiva Bohns
Porto Alegre, 30 de julho de 2007 |