Apresentação da mostra e de seus artistas pela curadora.
A litografia, a mostra e seus artistas
A litografia, linguagem gráfica criada por Alois Senefelder em 1797, nasceu da necessidade de reprodução de material comercial como jornais, livros, ilustrações, rótulos, baralhos, folhinhas e todo o tipo de material impresso. A partir de 1910, no entanto, começa também a ser utilizada para a reprodução de desenhos e pinturas de grandes mestres. A litografia passou a ter grande aceitação nos meios artísticos, sendo que as primeiras obras editadas por artistas foram feitas em Londres, expandindo-se imediatamente para a França. Goya é considerado o primeiro artista a adotar a litografia como meio de expressão, sendo também conhecidas e bastante difundidas as litografias de Manet, Degas, Odillon Redon e Bonnard, entre outros. Grandes nomes da arte contemporânea como Picasso, Matisse, Kandinsky, Klee, Chagall, Miró e Rauchemberg, entre tantos outros, utilizaram a litografia como linguagem.
No Brasil, as litografias comerciais também floresceram, entrando em declínio com a chegada dos processos em offset. Na década de 60, foram montadas várias oficinas litográficas, em diversos estados, com objetivo de desenvolver a gravura como linguagem artística.
Em Porto Alegre, o Atelier Livre da Prefeitura possui uma Oficina de Litografia aberta à comunidade onde a artista Miriam Tolpolar orienta novos artistas, promovendo uma reflexão sobre a gravura, divulgando e difundindo a linguagem litográfica como expressão contemporânea.Esta exposição apresenta cinco artistas que, oriundos da Oficina de LItografia do Atelier Livre, produzem gravuras que evidenciam os procedimentos tradicionais ao mesmo tempo em que propõem novas formas de pensar a imagem gráfica.
Suzel Neubarth, Marcelo Monteiro, Inói Varela, Raquel Lima e Jane Machado trabalham a pedra litográfica produzindo imagens matriciais que geram repetições ou combinações, que agrupadas de diferentes formas, geram gravuras expandidas.
Suzel Neubarth, arquiteta de formação, explora com sensibilidade o desenho, recriando paisagens urbanas reais ou imaginárias, visitadas ou não, a partir de fotografias. Como num contraponto a grandeza desta urbanidade estática, grupos humanos em movimento são inseridos nas imagens.
Motivada pelas formas e contornos do corpo humano, Inói Varela trabalha volumes, luzes e sombras, porém o resultado é inusitado. Aquela imagem de corpo se dilui, assumindo outras conotações: ao observarmos suas gravuras, vemos micro paisagens, formas orgânicas e organizações de imagens que podem nos remeter a seres marinhos ou paisagens lunares.
O trabalho que Raquel Lima apresenta nesta exposição concentra-se nas representações de corações através de uma linguagem gráfica singular onde a imagem oscila entre a figuração e abstração. São formas pulsantes, púrpuras, aguadas que se descontrolam, extravasando os limites da forma projetada.
A partir de leituras da obra de Simões Lopes Neto e de seu interesse pelo mito da Teiniaguá, Jane Machado constrói sua obra investigando a linguagem litográfica, onde procedimentos escolhidos refletem uma relação com a prática do desenho. A imagem interpretada da Teiniaguá fragmenta-se em módulos que, construídos a partir de uma ordem rígida, permite apresentar diferentes combinações, recriando o todo e aludindo à dinâmica da mutação do personagem, pretexto desta pesquisa.
A obra de Marcelo Monteiro é impregnada de erotismo. Desenhista impecável, suas linhas, aguadas e manchas vertem pela superfície do papel, configurando formas/ corpos que se fundem/ confundem com o entorno, provocando o olhar.
> Perguntas para a curadora.
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