Em seu trabalho Mario
Röhnelt, utilizando recurso digital, partiu
do detalhe captado no teto de um palácio veneziano, transmutando-o
em uma forma geométrica modular. Trata-se de plotagens em lona
vinílica fixadas diretamente na parede recobrindo-a em toda
sua extensão, e sobre a qual ele acopla “quadros” com
variadas formas cúbicas. Esses cubos, também elaborados
por meio digital, resultam de diferentes padrões repetitivos,
alguns lembrando arabescos, outros formados por linhas de aspecto caligráfico,
todos compondo formas volumétricas nas quais leveza e transparência
se destacam, produzindo uma enigmática profundidade. Há neste
conjunto o predominio de um caráter cenográfico barroco
que, pelo jogo de vazados, somados aos detalhes decorativos, permite
ao observador a percepção de uma nova espacialidade.
Alfredo, por sua vez, prossegue com a pesquisa de apropriação
de imagens fotográficas, anteriormente vinculada ao processo
analógico e, atualmente, relacionada ao processo digital. Sua
busca de imagens está centrada em filmes em DVD da década
de 40 e 50, de onde são capturadas com baixa resolução
e transpostas para ampliação em papel fotográfico,
sem nenhuma interferência direta do artista. Esses recortes resultam
em cenas de sobre/justaposições, já existentes
nos filmes e em trailers, mas que são imperceptíveis
ao olhar menos atento ou desavisado, melhor dizendo ao de quase todos
os assistentes. Tais imagens desviantes, distorcidas, alteradas, mas
reais e concretas, provocam situações inusitadas de um
estranhamento de significado surreal. São tempos que se unem,
se tencionam, se chocam em situações limites, como a
pertinente denominação dada pelo artista a esta série “No
abismo de um sonho”, também apropriada do título
da versão brasileira do primeiro filme de Fellini.
As obras
desses dois artistas, com dominante força monocromática,
um pela secção e apropriação de fotogramas,
outro pela volumetria modular, impulsionam a uma percepção
singular. E convergem com igual intensidade para um ponto de sintonia:
motivar o olhar do observador para tempos e espaços diacrônicos
no qual convivemos.
* Doutora em História da Arte Contemporânea
pela Universidade de Paris I - Sourbonne.
Pesquisadora e curadora independente.
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Alfredo Nicolaievisky
Porto Alegre, 1952. Vive e trabalha em Porto Alegre.
Inicia seus estudos de desenho no atelier Livre da Prefeitura em
1967. Cursa a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e faz o mestrado
e o doutorado
no PPG-IA, na área de poéticas Visuais, todos na UFRGS,
onde leciona na área de desenho do Instuto de Artes. Participa
de mostras coletivas e salões no Brasil e exterior. Exposições
recentes foram na Galeria Gestual; Porto Alegre e no Museu Leopoldo
Gotuzzo; pelotas, ambas em 2005. Em 1999 publica o livro "Alfredo
Nicolaiewisky - Desenhos e Pinturas", com textos de sua
autoria e de Paulo Gomes, Blanca Brites, Icléia Cattani,
Tadeu Chiarelli e Fernando Cocchiarale.
Mário Röhnelt
Pelotas, RS, em 1950. Foi integrante do grupo de desenhistas KVHR
(Porto Alegre, 1977/1980) e participou do Espaço NO Centro
Alternativo de Cultura (Porto Alegre, 1979/1982). Expõe
individualmente desde 1982. Mostras recentes: plotagens no Centro
Cultural São
Paulo, São Paulo, SP, em 1998, pinturas e desenhos na Galeria
Iberê Camargo, Usina do Gasômetro, Porto Alegre, RS,
em 1999, instalação com plotagem e pinturas na Pinacoteca
da FEEVALE, Novo Hamburgo, RS e fotografias na Galeria Gestual,
Porto Alegre, RS, em 2002. Foi premiado com Aquisição
no 13º e 15º Salão Nacional de Artes Plásticas
da Funarte, Rio de Janeiro, RJ, em 1993 e 1995. Em 2005 participou
d'O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Centro Cultural
Itaú, São Paulo, SP. Vive e trabalha em Porto Alegre,
RS.
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