Galeria de Arte
The Dance Party:
A cultura das pistas de dança como forma de arte


John Cage, Déh Dullius, Leyland Kirby, Mark Leckey, Giovanni Mad, Alexandre Navarro Moreira, Leigh Orpaz, Luiz Roque, Katja Ruge

A partir do campo da arte – e em relação direta com a música – a mostra coletiva The Dance Party pretende investigar alguns aspectos referentes à cultura das pistas de dança. Trata-se de um fenômeno que já data de pelo menos quatro décadas desde sua formatação em clubes noturnos de cidades como Londres e Nova York, exercendo influência nos costumes, na política, no consumo e na produção artística global. A exposição, que será realizada na Galeria Ecarta integrando a programação do 3º Festival Kino Beat, traz artistas brasileiros e estrangeiros que, através de meios como o vídeo, a fotografia, a escultura, a performance, a música, o texto e a instalação, investigam a cultura, seus fundamentos e implicações.

A mostra também incluirá a exibição de um registro da considerada primeira rave brasileira, o seminário A Teoria da Festa integra a programação com o objetivo de discutir a festa como proposição política e epistemológica (a data e os nomes dos participantes serão divulgados posteriormente).

A abertura, em 7 de outubro, às 19h, contará com a apresentação de Érica Alves, cantora, compositora e produtora musical do Rio de Janeiro radicada em São Paulo. Suas canções autorais, apresentadas em formato eletrônico com sintetizadores e drum machines, exploram sonoridades que vão do experimental ao house/techno, do trip-hop ao pós-punk, alternando entre climas viajantes e dançantes. A visitação vai até 13 de novembro de 2016.

A curadoria do projeto é de Gabriel Cevallos e Leo Felipe.

FESTA DE OCUPAÇÃO DO ARRUAÇA | após a abertura da exposição, no dia 7/10, a partir das 22h, haverá uma edição da festa de ocupação do coletivo Arruaça com apresentação dos DJs Alies, Érica Alves, Cashu, L_cio e Dominik, em local a ser definido.

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22/10/16 | 10h às 12h

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SERVIÇO
The Dance Party: A cultura das pistas de dança como forma de arte
Artistas: John Cage, Déh Dullius, Leyland Kirby, Mark Leckey, Giovanni Mad, Alexandre Navarro Moreira, Leigh Orpaz, Luiz Roque, Katja Ruge.
Abertura: 7 de outubro, 19h.
Visitação: até 13 de novembro de 2016, (de terça a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 18h)
Local: Galeria Ecarta (Av João Pessoa, 943), em Porto Alegre.
Informações: 51. 4009.2971.

The Dance Party

As origens são ancestrais, remontando ao tribalismo das cavernas, quando mulheres e homens pré-históricos pulavam ao redor do fogo – primeva rave – buscando voltar ao caos primordial. A festa é um filtro do mundo. Além do místico (megaclubes não costumam ser chamados de templos?), há também o político presente em cada molécula dos corpos que desejam liberdade e se organizam em comunhão contra os sistemas. E há, evidente, o consumo, essa invenção capitalista que infecta as coisas como um vírus. Mas existe também algo que diz respeito à forma e ao tempo: a música em torno da qual se construiu a cultura parece representar de maneira bastante adequada a distopia de um mundo pós-industrial onde as danças deserotizadas duplicam os movimentos mecânicos de nossa vida nas cidades, gestos que de tão repetidos perdem o sentido (expressão de nossa alienação?). Música de máquinas, produto da tecnologia que aponta para um futuro que não existe mais. Há somente um eterno passado, em constante sucessão de revivais.

As danças e modas, a música eletrônica e os expedientes do DJ, o sentido de resistência e a certeza da cooptação, a embriaguez dos sentidos e a sordidez do vício. The Dance Party lança um olhar sobre a cultura das pistas de dança e sua relação com a forma e o tempo, estes dois elementos que participam da memória, matéria que a música deflagra e o vídeo capta.

Leo Felipe.

Artistas e obras

John Cage (Los Angeles, 1912-1992)

Goal: New Music, New Dance (texto, 1939)

John Cage foi um homem generoso. Depois de suas experiências artísticas, nossa percepção sobre o que é a música nunca mais foi a mesma. Foi ele quem definiu uma vez a arte como a “estação experimental da liberdade”. No artigo de 1939, extraído do livro Silence, Cage parece um profeta quando fala da relevância da música percussiva que no futuro (hoje?) será feita pelas máquinas.

Déh Dullius (Canoas, 1988)

Disco fall (performance, 2016)

Sob o codinome Jesebel, Déh Dullius cria roupas-personagens que desfilam por clubes noturnos e eventos sociais, fazendo de sua própria presença extravagante uma performance. Para o projeto, o artista usará como elemento criativo um dos ícones definidores da cultura das pistas: a disco ball.

Leyland Kirby (Stockport, 1974)

The Death of Rave (álbum, 2006)

O álbum de Leyland é uma seleção das 19 horas de áudio do projeto The Death of Rave. Nele, os hinos da era das raves no Reino Unido são extirpados da estrutura que os sustenta: os beats, restando apenas sons etéreos que evocam fantasmas do passado. Será a nostalgia o preço pago por tantas noites de festa?

https://www.youtube.com/watch?v=DA_a7Y1yx6w

Mark Leckey (Birkenhead, 1964)

Fiorucci made me hardcore (vídeo, 1999)

O curta de 14 minutos, montado a partir de registros que vão da cena northern soul de início dos anos 1970 ao auge do acid house, é um tributo à cultura das pistas de dança no Reino Unido.

https://vimeo.com/5632791

Giovanni Mad (Porto Alegre, 1974)

After (fotografia, 2009)

Giovanni Mad é um fotógrafo de festas cuja marca é a (in)sensibilidade para a sordidez. Um cinzeiro do artista japonês Yoshitomo Nara, cheio de desagradáveis baganas de cigarro, é a peça central de sua “natureza morta”, comentário sobre os ritos e vícios que participam da cultura das pistas (e depois delas).

Alexandre Navarro Moreira (Porto Alegre, 1973)

AUTACOM_b2b (instalação, 2016)

As instalações da série AUTACOM se originam a partir do diálogo do artista com outros interlocutores, neste caso, os curadores da exposição. Tal qual um DJ, Moreira opera em uma situação de agrupamento humano efêmero, ruidoso e afetado por estímulos sensoriais, a partir de expedientes como a apropriação, a sobreposição e o remix.

Leigh Orpaz (Nova York, 1977)

Breakfast (vídeo, 2014)

As imagens em preto e branco que Orpaz captou no clube de Tel Aviv que dá nome ao vídeo não parecem combinar com uma festa. Mais sugerem mortos-vivos confinados em um bunker. Podem as subculturas ainda oferecer alguma forma de resistência em um mundo em que tudo se torna mercadoria?

http://www.leighorpaz.com/recent-work/breakfast-2014/

Luiz Roque (Cachoeira do Sul, 1979)

Cabeça com brinco (escultura, 2015)

Em sua pesquisa sobre a superficialidade, Luiz Roque aproxima as formas puras do modernismo ao corpo ambíguo da sexualidade não normativa, permitindo uma história da arte que incluiria o nightlife entre seus objetos.

Katja Ruge (Hamburgo)

Can Love be synth? (fotografia, 2010)

A fotógrafa Katja Ruge se especializou em retratar o universo da música, tendo produzido imagens para revistas, livros, exposições e festivais. Na série Can Love be synth? ela registra sintetizadores analógicos clássicos, reverenciando um dos instrumentos que deram origem à música eletrônica das pistas. Katja, que também é DJ, criará um mix especial para a exposição.

Can love be synth | Crédito: Katja Ruge Foto:
Can love be synth, de Katja Ruge
Deh Dullius | Foto: Ana Ferray Foto:
Deh Dullius, por Ana Ferray.



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